O Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren/RJ) junto ao Sindicato dos Enfermeiros do RJ (SINDENFRJ) entraram com representação no Ministério Público Federal e na Defensoria Pública da União contra a decisão do prefeito Cesar Maia de retirar todos os profissionais de enfermagem da rede municipal que estavam cedidos aos hospitais federais do Andaraí, da Lagoa, Cardoso Fontes e de Ipanema. As entidades também entrarão com uma ação ordinária na Justiça Federal.
Desde a semana passada, o Coren vem fazendo vistorias nos quatro hospitais para dar apoio aos profissionais da categoria que estão sendo lotados em outras unidades, sem ao menos ter o direito de escolher o local de trabalho.
Estes profissionais trabalhavam nos hospitais federais como parte do acordo firmado em 2006 entre o Ministério da Saúde e a Prefeitura do Rio. O trato previa que eles ficariam cedidos para a gestão federal até setembro de 2008. No entanto, o prefeito antecipou o retorno, o que pegou de surpresa o Coren.
O clima entre os funcionários dos hospitais do Andaraí, da Lagoa, Cardoso Fontes e de Ipanema é de apreensão, já que perderão, em menos de um mês, mais de 200 profissionais cada um.
“Em busca de solução para o problema, os diretores estão reunindo funcionários para remanejar horários, deslocar pessoas de um setor para outro tentando, dentro das possibilidades, não deixar a população sem atendimento”, explica a presidente do Coren, Rejane de Almeida.
Outra preocupação é a qualidade e o treinamento dos novos profissionais que vão substituir os que saíram. “O hospital não pode parar para treinar profissionais, a rotatividade é muito grande, precisamos de qualidade. Muitos dos que estão saindo já conheciam a rotina do hospital, tinham capacidade e qualidade profissional. São recursos humanos que não podíamos perder”, lamenta o diretor do Hospital do Andaraí, João Marcelo Ramalho Alves.
“Isso é um jogo político onde a população sofre as conseqüências. Qual interesse dessa remoção? Será que tem alguém se beneficiando com tudo isso? Queremos saber o objetivo dessa antecipação. Precisamos de respostas para essas perguntas. Por isso ingressamos com as representações no MP Federal e na Defensoria”, afirma Rejane de Almeida.
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