Se não bastasse o descaso com que a população é tratada, o prefeito Cesar Maia decidiu retirar, em meados de junho, de quatro importantes hospitais federais, quase mil profissionais de enfermagem cedidos pelo município. Os técnicos e enfermeiros começaram a abandonar os hospitais do Andaraí, da Lagoa, Cardoso Fontes e de Ipanema, o que vem provocando sérios transtornos aos serviços prestados.
Os riscos à saúde dos moradores da cidade são tão claros que o juiz da 5ª Vara da Justiça Federal concedeu liminar suspendendo a retirada. Enfermeiros e técnicos de enfermagem deveriam permanecer nos hospitais até setembro, como parte de acordo entre o Ministério da Saúde e a Prefeitura do Rio. Mas, em um ato de leviandade sem precedentes e jogo político até aqui inexplicável, o prefeito decidiu criar o caos nestas unidades de saúde e deixar a população sem atendimento.
Surpreendidas, as direções dos hospitais da Lagoa e do Andaraí não tiveram outra saída a não ser cancelar cirurgias, reduzir as internações e lotar as unidades de emergência.
No Andaraí, muitos setores ficaram esvaziados. Deles, saíram 470 enfermeiros, dos quais 127 do setor de pronto socorro. A emergência da unidade – reconhecida por sua excelência no tratamento de queimados – atende cerca de 10 mil pacientes por mês.
Além de deixar a população sem assistência, num momento de absoluto caos na saúde do Rio, o prefeito não demonstrou nenhum respeito pelos profissionais de saúde. Eles se viram jogados de uma unidade de saúde para outra, sem que fossem consultados. A prepotência de Cesar Maia comprovou que ele ainda não entendeu que esses profissionais fazem parte do Sistema Único de Saúde.
Rejane de Almeida
Presidente da Junta Interventora do COREN-RJ |